Especialistas afirmam, que alta do dólar vai pesar no bolso dos brasileiros

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Publicado em:

16 de
maio

Autor:

Globo.com

O mercado de câmbio viveu na última terça-feira (15) mais um dia de pressão no Brasil. Ao longo do dia, a cotação da moeda americana negociada à vista chegou muito perto do patamar de R$ 3,70 para operações envolvendo empresas, bancos e governos. No fim do pregão, o ativo recuou e fechou em R$ 3,66, alta de 0 99%.


Para o consumidor final, porém, o dólar turismo ultrapassou a casa dos R$ 4 em São Paulo. Para quem optou por levar o dinheiro em um cartão de viagem (cartão pré-pago), a moeda teve cotação média de R$ 4,015, segundo levantamento realizado pelo site Meu Câmbio.


De acordo com economistas a alta do dólar não deve aparecer ainda com força na divulgação do IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo) referente ao mês de abril, mas tende a afetar principalmente o preço de combustíveis e alimentos.


“A movimentação do dólar vai impactar os preços daqui para a frente, porque o dólar na economia brasileira é uma referência“, avalia o professor de análise de cenários econômicos e macroeconomia da Faculdade Fipecafi, Silvio Paixão, que destaca para a relação dos produtos com “os valores de fora do Brasil”.


O professor de macroeconomia do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) André Diz afirma que a variação no preço dos alimentos vai ocorrer principalmente no caso dos alimentos ligados às commodities, produtos primários com valor tabelado internacionalmente.


“Com a valorização do dólar, esses preços [das commodities] tendem a ficar mais caros ainda. Dada a importância da soja para toda a cadeia de alimentação animal, o impacto disso no índice de alimentos do IPCA com certeza vai ser positivo”, explica Diz. Nos últimos dois meses, o valor comercial do dólar saltou acima de 10% em relação ao real, ao passar de R$ 3,25 para R$ 3,66 no fechamento de ontem, em alta guiada pelas tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.



Combustíveis


Outro fator que deve influenciar o valor dos combustíveis no Brasil é a alta do preço do petróleo, que atingiu o maior valor em três anos nesta quarta-feira (9). Com a nova política de reajustes diários dos combustíveis adotada pela Petrobras, Diz avalia que o reajuste vai chegar às bombas do País. “Com a desvalorização do câmbio, o valor [dos combustíveis] em real acaba ficando mais caro”.



Juros


Na tentativa de segurar a alta dos preços, o BC (Banco Central) deve interromper a sequência de baixas da taxa básica de juros já no encontro marcado para a próxima semana. Atualmente, a Selic figura no menor patamar da história, a 6,5% ao ano. Segundo Paixão, a manutenção da Selic “vai ser o grande instrumento para ter algum tipo de efetividade” para segurar a inflação com a valorização do dólar. “Se o Banco Central pensava em reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, ele vai buscar manter e pode até fazer a manutenção com algum viés”, estima o professor da Fipecafi.


A Selic funciona como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, já que os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento. Quando o BC aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito. A alta do dólar deve reverter a expectativa do mercado financeiro de um novo corte na Selic. Diz, por sua vez, avalia que o BC vai "ter muita cautela" diante da atual situação para segurar a inflação. "Com essa mudança de cenário externo, sabendo que a Argentina está sofrendo com uma crise cambial e a Turquia pode passar pela mesma situação, talvez o BC pare por um certo momento a redução da Selic para não ter mais um componente de pressão”.



Portal: Globo Expresso.Com


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